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Bolhas flutuantes em tons pastel

E se Sustentabilidade se chamasse Eficiência?

  • Foto do escritor: Alexandra Diniz de Assis
    Alexandra Diniz de Assis
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Será que já teríamos avançado mais?

Talvez essa seja uma pergunta simples demais para um tema tão complexo.

Ou talvez seja justamente essa simplicidade que nos permita enxergar o problema por outro ângulo.

Quando falamos de sustentabilidade, estamos falando de algo bastante objetivo:

usar melhor o que temos, desperdiçar menos, gerar mais valor com menos impacto e garantir que o amanhã seja melhor que o hoje.

Parece familiar?

É porque também estamos falando de eficiência.


Sustentabilidade virou “extra”

Ao longo dos anos, a palavra sustentabilidade ganhou significados importantes, mas também carregou alguns estigmas.

Para muitas empresas, ainda é associada a “extra”, “custo”, “obrigação” ou até “modinha verde”.

Eficiência, por outro lado, costuma ser percebida de maneira diferente.

Eficiência é estratégica.

É necessária.

É competitiva.

É uma meta de negócio.

Então, por que sustentabilidade ainda não é vista da mesma forma?

Se uma empresa não sobrevive sem eficiência, como pretende ser longeva sem sustentabilidade?


A verdadeira eficiência é sustentável

Eficiência significa usar bem os recursos disponíveis.

Sustentabilidade também!

Justamente por isso, as duas não deveriam ser tratadas como conceitos separados.

A verdadeira eficiência reduz perdas, riscos e desperdícios.

Ela melhora processos.

Otimiza recursos.

E gera valor, não apenas resultado imediato.

É aqui que aparece uma das objeções mais comuns:

“Mas sustentabilidade gera custos.”

Sustentabilidade exige investimentos.

Assim como qualquer outra iniciativa que busca melhoria.

Para otimizar um processo produtivo, implementar uma nova tecnologia, qualificar pessoas ou melhorar a gestão, também é necessário investir.

O investimento pode ser financeiro.

Pode ser intelectual.

Pode envolver tempo, planejamento, tecnologia e mudança de processos.

Mas investimento não é sinônimo de desperdício.

É uma decisão sobre onde colocar recursos hoje para produzir melhores resultados amanhã.


Na prática, sustentabilidade também é eficiência

Quando traduzimos sustentabilidade para a operação, encontramos uma lógica bastante concreta:

  • menos insumo;

  • menos energia;

  • menos desperdício;

  • menos retrabalho;

  • menos risco;

  • mais eficiência;

  • mais valor;

  • mais resultado.

Isso já diz muito.

E talvez seja justamente essa tradução que ainda esteja faltando em parte das organizações.

Sustentabilidade não precisa ser apresentada apenas como uma pauta ambiental.

Ela pode, e deve, ser incorporada à forma como a empresa pensa seus processos, seus investimentos, seus riscos e sua estratégia.


Sustentabilidade não é uma pauta de imagem

Está mais do que na hora de deixar de tratar sustentabilidade como pauta de imagem e enxergá-la como uma forma inteligente de existir.

Para empresas.

Para cidades.

Para negócios.

Para a sociedade.

E para o próprio planeta.

Porque o planeta não precisa que nós o “salvemos”.

Ele precisa que aprendamos a fazer sentido com os recursos que temos, com inteligência, coerência e permanência.

A questão não é apenas preservar o planeta.

É reconhecer que nós fazemos parte dele.

Se destruirmos as condições que sustentam nossa economia, nossas cidades, nossa produção e nossa própria vida, não haverá estratégia empresarial capaz de compensar isso.

É a nossa casa que deixa de existir.

E sabemos bem o que isso significa.


Sustentabilidade também precisa falar a língua dos negócios

Então vamos mudar a pergunta. Ao invés de:

“Quanto custa ser sustentável?”

podemos começar a perguntar:

“Quanto custa não ser?”

Quanto custa desperdiçar energia?

Quanto custa perder matéria-prima?

Quanto custa um processo ineficiente?

Quanto custa não antecipar um risco?

Quanto custa ignorar mudanças regulatórias?

Quanto custa perder competitividade?

Quanto custa construir hoje um ativo que já nasce preparado para o passado?

Essas perguntas aproximam sustentabilidade daquilo que toda organização precisa administrar:

resultado, risco, eficiência, valor e longevidade.


E sim, estamos falando de lucro

Porque sustentabilidade não é caridade.

ESG é gestão de futuro.

E gestão de futuro precisa considerar viabilidade econômica.

Uma empresa sustentável precisa ser capaz de permanecer.

Gerar valor.

Inovar.

Adaptar-se.

Reduzir riscos.

Ser competitiva.

E, sim, gerar lucro.

Não existe contradição entre sustentabilidade e resultado econômico.

O desafio está justamente em construir modelos de negócio capazes de gerar valor econômico sem comprometer as condições que permitem que esse valor continue existindo.

Essa é a lógica da longevidade.


Talvez o nome seja menos importante que a prática

No fim, talvez a discussão não seja sobre encontrar uma nova palavra para sustentabilidade.

Talvez seja sobre fazer com que sustentabilidade deixe de ser percebida como algo separado da gestão.

Porque quando reduzimos desperdícios, usamos melhor os recursos, antecipamos riscos, melhoramos processos, inovamos e geramos mais valor com menos impacto, estamos sendo eficientes.

E estamos sendo sustentáveis.

Talvez sustentabilidade seja, em essência, a eficiência de pensar além do próximo trimestre.


Essa é a visão que queremos trazer para esta página: sustentabilidade não como discurso, mas como estratégia, eficiência, inteligência e permanência.

Porque o futuro não precisa apenas de empresas que façam o bem.

Precisa de empresas capazes de fazer sentido ambiental, social e econômico, por muito tempo.


E fica a provocação:

Se chamássemos Sustentabilidade de Eficiência, será que o mundo finalmente ouviria?


 
 
 

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